Vozes do Paganismo #1: entrevista com a druidista Rowena A. Seneween

Iniciando hoje um novo projeto aqui no blog; “Vozes do Paganismo” é uma coluna focada em entrevistas feitas por mim com pagãos brasileiros de diferentes orientações (druidistas, heathens, ásatrúars, wiccanos, bruxos, reconstrucionistas, entre outros). A intenção é dar voz aos diversos sujeitos religiosos que vivem o Paganismo, conhecer as suas trajetórias, visões de mundo e impressões acerca do movimento pagão contemporâneo.

Para começar, a primeira entrevistada foi a druidista Rowena Arnehoy Seneween. Rowena mora em Itu, São Paulo, tem 49 anos, quase 20 deles dedicados ao Paganismo, e é webdesigner, oraculista e terapeuta holística. Criou o portal online “Templo de Avalon: Caer Siddi“, uma das principais fontes de informação para os buscadores brasileiros do Druidismo e/ou paganismo céltico, além de ter publicado o livro “Brumas do Tempo – poesias, pensamentos e ritos druídicos” – um dos poucos escritos em português sobre a religião druídica. Fundou o Caer Siddi, grupo de estudos e vivências do Druidismo, assim como também o Clann Fidnemed an Sid.

Vamos à entrevista:

Para você, o que é o Paganismo?

Paganismo é o termo usado para aqueles que cultuam divindades politeístas ligadas a uma religião natural e étnica que representa um povo ou cultura especifica, bem como a sua ancestralidade e a natureza local, além de vivenciar uma ou mais mitologias nas práticas religiosas, tanto individualmente como em grupos ou clãs.

Como você chegou até o Paganismo? Poderia descrever um pouco de sua caminhada espiritual até aqui?

Cheguei ao Paganismo, propriamente dito, em 1998, através do estudo das Runas. Os oráculos, de um modo geral, sempre exerceram certo fascínio à minha curiosidade em relação ao mundo sobrenatural e à percepção extrafísica. Ao estudá-las, senti uma forte conexão à cultura nórdica e seus Deuses. Aos poucos, aquilo que conhecia de forma empírica, começou a se revelar através das lendas e dos mitos. Então, para chegar até o Druidismo, foi apenas uma questão de tempo e um processo de desconstrução de crenças e de reavaliação de novos conceitos que, finalmente, me levaram à ordem americana ADF, à qual sou afiliada, bem como ao treinamento com o Druida Searles O’Dubhain, que muito contribuíram e ainda contribuem aos meus estudos e vivências pessoais.

De que forma você vive o Paganismo no seu cotidiano?

Posso dizer que em termos de prática diária, o meu cotidiano é centrado na total percepção do Outro Mundo, pois tudo ao meu redor reflete essa sacralidade, seja no simples ato de uma conversa, até nos momentos de concentração para escrever ou de trabalhar e atender clientes. As práticas diárias têm o poder de renovar a nossa fé, através do culto e respeito aos seres sagrados. Por exemplo, ao levantar, saúdo meus Deuses de devoção, coloco água fresca no altar e acendo um incenso, em seguida faço uma oferenda aos ancestrais, agradeço os espíritos da natureza e dou uma pausa para a meditação. Mesmo com a correria do dia-a-dia, aprendi que pequenas ações surtem efeitos maravilhosos para mantermos o nosso equilíbrio físico, mental e espiritual.

Como você enxerga a comunidade religiosa a qual você pertence, isto é, de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, no Brasil? Considera que o seu desenvolvimento se deu de forma positiva? Teria algo ainda a ser aperfeiçoado?

A comunidade religiosa à qual pertenço está centrada no meu Druidismo com bases reconstrucionistas e que visa à cultura tradicional e dinâmica da espiritualidade celta, tanto no grupo Caer Siddi, como no Clann Fidnemed an Sid. Exponho a minha visão com base histórica e mitológica, levando em consideração a percepção pessoal adquirida através destes estudos, principalmente, da tradição galesa e irlandesa. Considero o desenvolvimento positivo e a busca da inspiração deve ser constantemente aperfeiçoada.

Como você enxerga a comunidade pagã brasileira, de forma geral?

De um modo geral, a meu ver, a comunidade pagã brasileira está se aprimorando, entre uma geração e outra, percebo que pessoas novas estão chegando desprovidas de egocentrismo e buscando verdadeiramente se conectar ao sagrado. A nossa responsabilidade perante a comunidade no geral, deve estar voltada à verdade, à justiça e à ética. Como agentes transformadores, devemos inspirar uma vida mais equilibrada e que promova escolhas conscientes de paz, visando a cura e o bem estar comum.

Para você, qual é a importância do regate de crenças étnicas, politeístas e/ou animistas no contexto atual em que vivemos?

Dentro do Druidismo, como uma religião politeísta e animista, que vê o mundo e a natureza como sagrados, que honra antigos Deuses Celtas, Ancestrais e Espíritos da Natureza, além da busca do conhecimento e da sabedoria, seu resgate nos remete a concepção de uma força primordial que nos inspira a sermos pessoas melhores. No contexto atual, seria o respeito a todo ser vivo e a busca constante de uma vida mais justa, sem tanto fanatismo, consumismo desnecessário e desperdício dos recursos naturais.

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© Dannyel de Castro

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