10 influentes bruxos tradicionais

Texto escrito por Jason Mankey, originalmente disponível em: http://www.patheos.com/blogs/panmankey/2014/05/10-important-traditional-witches/

 

O que é um bruxo ou uma bruxa tradicional? As opiniões variam. Para os propósitos deste artigo, um bruxo tradicional será compreendido como um praticante que possui linhagem em uma tradição de Bruxaria estabelecida (como um alexandrino) ou um seguidor de uma tradição familiar ou clânica. Não importa qual definição de “bruxo tradicional” se usa, o treinamento direto, face a face, é geralmente uma característica. Para alguns Tradicionalistas, a Arte é um caminho espiritual e mágico, para outros, pode ser apenas um sistema mágico. Vários nomes bastante familiares não estão presentes neste artigo, e isso é porque eu já escrevi sobre indivíduos como Doreen Valiente, Alex Sanders, e muitos outros, no ano passado.

Esta lista é apresentada de forma que a colocação não é indicativa de qualquer tipo de classificação. Lembre-se que tudo isso é divertido e parte do passado e presente do Paganismo Contemporâneo. Esta lista não é chamada “os únicos 10 bruxos tradicionais importantes”, nem estou sugerindo tal coisa. Estas são apenas algumas figuras que eu acho interessantes e/ou influentes. Existem dezenas mais que são dignos de estar em uma lista como esta e se você acredita que eu esqueci de alguém, compartilhe a história dessa pessoa na seção de comentários abaixo ou escreva sua própria lista! Também não estou escrevendo biografias completas aqui. Então, peguem leve comigo, ok? E, como sempre, qualquer lista como essa vai refletir os vieses do autor.

Eleanor “Ray” Bone (1910-2001). Em “Triumph of the Moon”, Ronald Hutton escreve que as representações geralmente positivas das bruxas na imprensa inglesa após a passagem de Gardner foram devido a: “os esforços de três sacerdotisas que representavam a face eleanor_bonepública da tradição Gardneriana nos anos 60: Patricia Crowther, Ray Bone e Monique Wilson”. Eleanor “Ray” Bone nunca publicou um livro ou fundou uma tradição, mas ela era uma parte tão importante da Bruxaria Moderna que em muitos círculos ela era conhecida como “a matriarca da bruxaria britânica”. Bone foi iniciada na Cumbrian Tradition em 1941 por um casal de bruxos hereditários, mais tarde, em meados dos anos 50, tornou-se amiga de Gerald Gardner e foi então iniciada no que viria posteriormente a ser chamada de Bruxaria Gardneriana. Bone também se tornou amiga de Dafo (Edith Woodford Grimes), membro do original New Forest Coven que iniciou Gardner em 1939. Ao longo da década de 1960 e início dos anos 70, Bone foi uma presença frequente em jornais e revistas; se alguém estava escrevendo sobre a Arte havia uma boa chance de que Bone fosse parte da história. Bone foi a professora de muitas bruxas proeminentes (mais notadamente Vivienne Crowley), mas recuou lentamente dos olhos do público a partir de 1972. Vivendo uma vida principalmente privada, ela voltou para a prática da Cumbrian Tradition na qual havia sido iniciada primeiramente, tornando-se uma bruxa principalmente solitária. Mesmo longe dos holofotes, Bone permaneceu influente e importante para muitas bruxas inglesas.

Laurie Cabot. Poucos nomes são sinônimos de bruxaria americana como Lauriecabot Cabot. A “Bruxa Oficial de Salem Massachusetts” (proclamada pelo então governador Michael Dukakis em 1977) tem praticado a Arte desde o início dos anos 1950. Muito antes da cultura gótica, Cabot andou pelas ruas de Salem orgulhosamente e publicamente usando um colar de pentagrama e vestes pretas, que ela afirmava serem as roupas de uma bruxa tradicional. Além de ser uma das primeiras bruxas públicas nos Estados Unidos, Cabot escreveu um grande número de livros (mais notavelmente “O poder da Bruxa” e “Celebrate the Earth”) e fundou a Cabot Tradition of the Science of Witchcraft e a Witches’ League for Public Awareness, esse último um grupo voltado para os direitos civis de pagãos.

Patricia Crowther. Em 1998 eu peguei um livro intitulado High Priestess (publicadoPATRICIACROWTHERPIC como One Witch’s World na Grã-Bretanha) e foi uma experiência de mudança de vida. Naquela época eu tinha lido muitos livros sobre o Paganismo, mas este era um livro sobre Bruxaria escrito por uma verdadeira bruxa; sugerindo ideias e conceitos que me pareciam velhos e novos ao mesmo tempo. Desde que foi iniciada por Gerald Gardner em 1960, Patricia Crowther foi uma das principais luzes da Bruxaria Moderna. Além da Alta Sacerdotisa, ela escreveu várias outras obras sobre suas experiências como bruxa. Lid Off the Cauldron, de 1980, permanece uma leitura essencial para qualquer um interessado na bruxaria tradicional britânica. Ela também escreveu sobre tarô e astrologia.

Donald “Don” Frew. Na costa oeste dos Estados Unidos o nome Don Frew é sinônimo deP5310373-225x300 Bruxaria Tradicional. Um iniciado de várias tradições, Frew é historiador e um dos melhores embaixadores da Bruxaria no palco religioso mundial. Desde 1993 Frew é um dos representantes pagãos no Parliament of the World’s Religions. Ele também foi duas vezes presidente do Covenant of the Goddess. Como um historiador da Bruxaria, Frew acredita que certas tradições (como a Bruxaria Gardneriana) contêm ideias diretamente ligadas à antiguidade pagã. Infelizmente, Frew ainda não publicou toda a sua pesquisa sobre as origens da Bruxaria, mas escreveu vários artigos que provocam a reflexão e articulam alguns de seus argumentos. O melhor deles é “Methodological Flaws in Recent Studies of Historical and Modern Witchcraft”. Eu nem sempre concordo com Frew em termos históricos, mas não há como negar sua inteligência e devoção à Arte.

Philip Heselton. É atualmente a maior autoridade no tema Gerald Gardner e Bruxaria200px-Heselton na área de New Forest, Inglaterra. Os primeiros dois livros de Heselton sobre o assunto, “Wiccan Roots” e “Cauldron of Inspiration”, trazem argumentos muito convincentes de que Gerald Gardner foi realmente iniciado em um coven de bruxas em 1939. Graças a Heselton o argumento de que “Gardner fez tudo” não funciona mais. Através de uma grande quantidade de pesquisas na área de New Forest, Heselton construiu a teoria da existência de uma comunidade de praticantes mágica e oculta quase que, literalmente, no quintal de Gardner. Além de escrever sobre Gardner e seus prováveis iniciadores, Heselton também escreveu vários outros livros que tratam de temas como magia de terra.

Michael Howard. The Cauldron é uma das mais antigas revistas pagãs do mundo,Michael_Howard,_Witch impressas continuamente desde 1976. Se The Cauldron era tudo o que Michael Howard já havia trabalhado, ele ainda assim merecia estar nesta lista, mas há bem mais. Além de fundar o periódico, Howard é um dos principais documentaristas do folclore britânico e bruxaria. Eu nem sempre concordo com todas as suas conclusões, mas a quantidade de material que ele colecionou em livros como “Children of Cain”, “Welsh Witches e Wizards” e “West Country Witches” é extraordinária e um verdadeiro serviço aos bruxos do passado, presente e futuro. “Modern Wicca: A History From Gerald Gardner to the Present”, de 2010 (publicado pela Llewellyn), é uma extraordinária história documentada sobre os primeiros dias da Bruxaria Moderna até o presente.

Evan John Jones (1936-2003). Anos atrás eu costumava comprar qualquer coisa com o220px-Evan_John_Jones,_Witch nome Doreen Valiente escrito. Ao visitar uma loja local de bruxaria, encontrei um livro com seu nome e o de Evan John Jones na capa, que achado que era! Esse livro em particular, “Feitiçaria: A Tradição Renovada”, não era um livro de Valiente, era um livro de Jones, e era tudo sobre a bruxaria praticada por Robert Cochrane e o Clan of Tubal Cain. Eu sou certamente afeiçoado pela bruxaria tradicional britânica e das tradições de Alex Sanders e de Gerald Gardner, mas eu amo igualmente descobrir outras interpretações diferentes da Arte, que é definitivamente o que “Feitiçaria: A Tradição Renovada” forneceu. Quando Cochrane faleceu em 1966, foi Jones quem o sucedeu como Magister e manteve vivas muitas das ideias e ensinamentos do velho Magister, ao mesmo tempo em que adicionava novos elementos ao mix. Abandonou o cargo do Magister do Clan of Tubal Cain pouco antes de sua morte em 2003, entregando a liderança para uma geração nova. Em entrevista ao The Cauldron, publicada em fevereiro de 2003, Jones falou de uma mudança na sua ideia de Bruxaria e de como a Arte deveria progredir: “A única coisa que me decepcionaria seria se eu voltasse 50 anos atrás e descobrisse que não havia mudado nada. Porque significaria que o Clan of Tubal Cain teria se tornado estático e oculto, em vez de se mover com o tempo em que estava… A tradição básica está lá e deve permanecer inalterada, mas o que as pessoas fazem com ela deve ser a coisa importante”. Sábias palavras.

Dr. Leo Martello (1931-2000). Uma das razões pelas quais escrevo esses posts é paraLeo_Martello chamar a atenção para indivíduos que poderiam ser esquecidos no decorrer da história do Paganismo; Leo Martello é um dos nomes às vezes ignorados atualmente. Martello nunca foi o mais prolífico dos escritores, mas ele escreveu vários dos primeiros livros sobre Bruxaria. Seu livro mais conhecido sobre a Arte, “Weird Ways of Witchcraft” foi relançado em 2011 com material adicional e é o primeiro trabalho de Martello disponível no formato e-book. Além de escrever, Martello fundou a Witches Anti-Defamation League e organizou (pelo que sei) o primeiro “Witch-in” (encontro de bruxos) no Central Park de Nova York. A obra de Margot Adler, “Drawing Down the Moon” está cheia de citações de Martello, a maioria das quais eu concordo totalmente. Martello está nessa lista porque alegava ser iniciado em uma família de tradição Strega, uma reivindicação que muitos acreditam ser duvidosa, mas nesta citação do livro de Adler podemos ver que essas acusações não incomodavam o bruxo: “Vamos supor que as pessoas mentiram sobre sua linhagem. Suponhamos ainda que não existem covens na cena atual que tenham qualquer base histórica. O fato é que eles existem agora. E eles podem reivindicar uma linhagem espiritual que remonta a milhares de anos. Todos os nossos antepassados pré-judaico-cristãos ou muçulmanos eram pagãos!”. Martello era um feroz defensor dos direitos dos homossexuais, dos direitos civis, dos direitos das mulheres, dos direitos religiosos e dos direitos das bruxas.

Lady Gwen Thompson (1928-1986). Desde que li “The Rede of the Wiccae”, de Robertgwenthompson Mathiesen e Theitic, não consegui tirar de minha cabeça a Lady Gwen Thompson e a “forma longa” do Wiccan Rede (conjunto de dogmas da Wicca). Muitos wiccanos só conhecem o Wiccan Rede como duas frases “sem prejudicar a ninguém, faça o que quiser”, mas há uma segunda versão, muito mais longa, uma versão dada à comunidade pagã por Gwen (Gwynne) Thompson. O relato de Thompson informa que ela encontrou a versão longa da “rede” entre os papéis de sua avó (Adrianna Porter) amarrados com uma fita vermelha. Esses papéis foram a base para a tradição da Bruxaria de Thompson, que primeiro veio a público no final dos anos 1960 e formalmente tornou-se o The New England Coven of Traditionalist Witches em 1972. A história de Thompson soa algo extraordinário, mas há muita evidência para sugerir sua validade. Eu escrevi sobre Gwen Thompson e o Wiccan Rede no passado, e humildemente sugiro ao leitor a acessar o artigo aqui.

Joseph “Bearwalker” Wilson (1942-2004). Joseph Wilson foi o fundador da tradiçãoLaughingJoe 1734, uma tradição de Bruxaria construída em torno de uma combinação de fontes. A mais famosa dessas fontes foram uma série de cartas do bruxo inglês Robert Cochrane, o fundador do Clan of Tubal Cain, e seu próprio estilo de Bruxaria. Além da influência de Cochrane, a tradição 1734 também foi moldada pelos ensinamentos de outros indivíduos. A mais famosa delas foi Ruth Wynn-Owen, uma atriz galesa que deu à tradição de Wilson uma “construção sazonal”. Além de iniciar a tradição 1734, Wilson era um membro fundador do Covenant of the Goddess e era um defensor do xamanismo. Ele também estudou hoodoo, tornando-se um estudante de Catherine Yronwode.

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s