Vozes do Paganismo #4: entrevista com o ásatrúar Daniel Sonne Heljarskinn

O paganismo nórdico ou germânico está atualmente em ascensão no cenário das religiões e espiritualidades não-dominantes no Brasil. O aumento da busca pela sabedoria e religiosidade dos povos germânicos, em termos empíricos, parece apontar para uma pluralização cada vez maior do movimento pagão contemporâneo em terras brasileiras, que até o momento tem a Wicca como segmento de maior visibilidade social. Mas o paganismo nórdico não se encerra em um único movimento religioso, ele é antes subdividido em diferentes sendas, que possuem encontros e desencontros entre si; tais religiões são a Ásatrú, o Theodismo, o Odinismo, entre outras. Dessas, a que se tornou mais buscada e, consequentemente, mais visível socialmente, foi a Ásatrú, religião sobre a qual o leitor pode encontrar um breve guia aqui.

Esse mês, na coluna Vozes do Paganismo, o Bosque Ancestral conversou com o ásatrúar Daniel Sonne Heljarskinn, que está à frente do projeto Ásatrú & Liberdade. Daniel tem 27 anos, é estudante do curso de Letras (língua inglesa) e mora na zona rural do estado de Alagoas. Dentro do projeto Ásatrú & Liberdade, já escreveu dois livretos sobre a religião, “Primeiros Passos na Ásatrú – Introdução ao Paganismo” e “Ættarbók: Introdução ao culto doméstico”, mantém um canal no YouTube, além de ter participado da elaboração da revista Heathen Brasil, sendo este último um trabalho que merece os méritos do pioneirismo dentro do cenário pagão brasileiro como um todo. Tais iniciativas são muito importantes para aqueles que buscam pela Ásatrú e pelo paganismo nórdico no Brasil.

Esse é, então, um bom momento para conhecer um pouco das ideias e impressões do Daniel Sonne Heljarskinn acerca do Paganismo. Sem maiores prolongamentos, deixo vocês com a entrevista do mês. 😉

Para você, o que é o Paganismo?

A pergunta é aparentemente simples, mas eu tenho a impressão que não posso a responder de maneira definitiva. Eu não sei se posso falar de um paganismo, mas na verdade de vários paganismos. O que eles têm em comum, no Ocidente, e nos dias atuais, é uma necessidade de olhar para as ritualísticas antigas, que eram essencialmente a maneira que um povo ou comunidade entendia o mundo. Eu não sei se soa muito agradável aos ouvidos falar isso, mas eu acho que “pagão” é um sinônimo de “caipira” nos dias atuais. A diferença que os “pagani” de Roma ou “heathens” do lado germânico do mundo, ainda não tinham se convertido. O paganismo para mim está indissociável do caráter étnico, e quando me refiro à etnia busco o que a raiz grega ethnos tem em comum com o termo germânico heathen e o anglo-saxão theaw e não a nada genético. Paganismo é para mim literalmente a “maneira”, os “costumes” muito mais que uma “religião” de uma determinada tribo ou povo, em um determinado momento histórico, que eu vejo como pura decorrência dessa forma de ver o mundo e se relacionar com o que está ao seu redor. Lógico que existem mais definições de paganismo do que pagãos, e isso porque eu só conheço o lado germânico do paganismo.

Como você chegou até o Paganismo? Poderia descrever um pouco de sua caminhada espiritual até aqui?

Eu fui criado na cidade. Li boa parte da Bíblia ainda na infância, obrigação de família católica praticante. Mas eu acho que sempre tive uma mente simples demais. Durante duas ou três vezes na infância eu saí da cidade, e fui para junto da terra onde minha família morou por gerações, e passei várias semanas lá, e vi os últimos resquícios dos tempos antigos da minha família, as mulheres fortes e contadoras de histórias, morrendo, uma a uma. Eu me lembro de sentar e ficar ouvindo as histórias delas em casas de barro, de me perder no mato, imaginando tudo o que uma criança imagina de um local desconhecido e cheio de animais. Foram as melhores experiências das quais eu posso me recordar na infância. Sempre senti uma ligação muito forte com minha avó materna, mesmo depois que ela foi continuar sua jornada de outra maneira, após a morte. Quando eu voltava pra cidade, era aquele inferno. As pessoas na cidade grande não estabelecem relações muito saudáveis, para mim. Com uns quinze anos eu já era um “satanista” por revolta. Com 18, ateu. Mas foi com 21  que eu conheci os deuses do norte, e não fazia nem ideia que existia uma religião que os cultuava. Eu tinha mania de desenhar, e tinha desenhado um panteão de deusas que inventei, com idioma próprio e tudo. Mas eu ainda recebia muita influência do ateísmo, todavia de Nietzsche, mas também do panteísmo de Spinoza. Bom, o tempo cíclico (na verdade o eterno retorno) de um e o “deus sive natura” de outro foram o que marcaram minha maneira de pensar desde então, pois era algo simples e me parecia muito interessante. Só conheci de fato a Ásatrú em 2014. Até então o paganismo era uma filosofia de vida pra mim, algo meio ligado a um código de honra guerreira (sobre qualquer entendimento superficial que eu tinha disso). Com o tempo eu fui me aprofundando mais e mais nos nórdicos e nos germânicos em geral, e cada vez mais o paganismo parecia o caminho que eu queria. Aceitei de fato morar na zona rural, vi que era meu lugar,  e que a cidade não tinha nada pra me oferecer. Principalmente quando eu comecei a entender o animismo e a ortopraxia, então o paganismo deixou de ser algo que eu fazia de uma forma meio forçada (por um certo ceticismo de resquício dos meus tempos de ateu), e se tornou bem mais palatável com tudo o que eu entendo do mundo.

Você escreveu o livreto “Aettarbók, o culto doméstico para além da Ásatrú”; qual a importância do culto doméstico no caso da prática ásatrúar e pagã no geral? Achas que esse é um tema pouco discutido nas comunidades ásatrúars?

O Aettarbók é uma tentativa de mostrar pra comunidade brasileira o que ela não tem muita oportunidade. Eu gostaria de ter feito algo mais completo, mas eu estava sem computador na época, e eu estava me aprofundando muito no animismo e ortopraxia naquela época. O culto doméstico, ou mais acertadamente, o culto do fogo da lareira (hearth cult) é o centro de todos os paganismos de origem indo-europeia. Hoje a sociedade ocidental tem a televisão, a televisão fala e cala todos ao mesmo tempo. Conhecemos (ou julgamos conhecer) mais a vida de políticos, de seres imaginários como personagens de novelas, do que os próprios membros da nossa família. O fogo do lar aquecia e alimentava a família. E ali eles se conheciam, eles partilhavam a sua existência, eles podiam interagir e tornarem-se um parte do outro. O problema é que o paganismo atual é muito jovem, mesmo se pegarmos como parâmetro a wicca do Gardner. E ele e baseado em muito pouco conteúdo no Brasil. A gente tem algumas Eddas, uma ou outra Saga traduzida, tem os trabalhos do NEVE, e ao mesmo tempo uma resistência absurda ao método científico, que não é mais que tentar olhar as coisas como elas mais provavelmente foram no passado. Bom, o que eu tentei fazer foi converter muitas ideias tanto do inglês, quanto da linguagem acadêmica e mostrar que elas eram sim importantes. Eu não criei nada ali praticamente. Juntei vários pedaços e reconstruí uma prática familiar para mim mesmo, ou melhor, para mim e meus descendentes. A ideia centrar do Aettarbók é mostrar que o paganismo é um processo multigeracional, familiar, ou pelo menos coletivo, e não apenas uma ética pessoal. Era minha ideia também embasar as pessoas em uma visão de mundo germânica, para que elas pudessem desenvolver a magia dentro dos paradigmas de pensamento e ritual germânico, e terem mais efetividade no uso disso, sem precisar recorrer a sistemas alheios. E tudo isso porque sim, o culto doméstico é praticamente desconhecido no Brasil, embora seja já mais comum lá fora. Você pode ver a Confederation of Sachsenheim ou o Larhus Fyrnsida, são grupos formados por lares (hearths) independentes que se coajudam. É um pouco diferente da lógica dos kindreds, mas pode se casar com ela, uma vez que o kindred é o culto de mais de um lar, e o hearth é seu culto privado. A ideia do culto doméstico é se ‘descristianizar’ de verdade, lançar as sementes firmes em solo fértil para que as próximas gerações não tenham que sempre estarem começando do zero. Todos somos criados em uma visão de mundo, então, por que não ser ela uma visão de mundo pagã?

De que forma você vive o Paganismo no seu cotidiano?

Bom, antes de mais nada o paganismo é a forma que eu vejo o mundo. Aqui, onde moro, eu não vejo simplesmente árvores, e solo, eu vejo amigos, eu me relaciono com eles, e eu tento escutar o que o vento me fala através do chacoalhar das folhas das árvores. Eu mantenho minha mente sintonizada com meus Ancestrais mais próximos, eu derramo bebidas para os deuses, e eu trabalho a terra com o mesmo carinho que Freyr acariciava Gerdr. Isso pode parecer meio poético ou louco, mas é exatamente o que é. Acho que sem um “quid” de loucura, a gente nunca sai do cristianismo – afinal, quem é que define mesmo o que é normal? Além disso, costumo observar os ritos sazonais e calendário de festividades germânicos da melhor forma que posso. Eu não tenho lá muitos recursos, então quando posso celebro, e quando não posso, faço algum ato de reverência para a natureza. Viver o paganismo para mim é tentar me desfazer da ‘matrix’ de pensamentos impostas pelo cristianismo e questionar as noções mais evidentes da nossa sociedade como ‘eu’, ‘indivíduo’, ‘outro’, ‘natureza’, ‘fé’, ‘culto’, ‘devoção’, ‘objeto inanimado’, ‘espírito’ e tentar entender até que ponto elas são semelhantes ou diferentes daquelas dos antigos povos tribais germânicos. Como um pagão tribalista, ‘entender’ a visão de mundo e aplicá-la, desde os conceitos mais simples até a importância do destino (wyrd e orlog) que para os antigos submetiam mesmo os deuses, além de praticar os ritos que eu consegui reconstruir dos antigos. Todo o meu foco do ‘ser pagão’ está na forma de pensar diferenciada, buscando emular os antigos, e, ao mesmo tempo, isso me leva a agir diferente, de maneira incompreensível para cristãos, muitas vezes. Por que sempre dar o primeiro gole da bebida à Odin? Eu lembro da cara de meus amigos derramando no chão, e eles querendo me esganar. Além disso, eu faço meus ritos e oferendas internos, para meus Ancestrais, tanto os imediatos como os mítico-culturais, para os cofgodas (deuses do lar) e para o genius loci da minha casa.

Como você enxerga a comunidade religiosa a qual você pertence, isto é, da Ásatrú, no Brasil? Considera que o seu desenvolvimento se deu de forma positiva? Teria algo ainda a ser aperfeiçoado?

Acho que o que estamos fazendo agora, no paganismo, é semelhante ao que o Ulfila pelo cristianismo fez entre os godos, no século IV. Se você pega obras como a de James C. Russell “The Germanization of Early Medieval Christianity” você entende que o processo de saída do cristianismo é longo, e não se dá em uma única pessoa, da mesma forma que não foi a conversão que cristianizou os godos. A Igreja Católica travou uma batalha contra todas as religiões pagãs, ou étnicas, ou populares, como quiser chamar, por séculos, e nem foi ela quem conseguiu tirar os mais fortes resquícios do paganismo de nossa cultura: mas o Iluminismo. Até o século XVII ou XVIII as pessoas ainda tinham uma forte relação com o mundo ‘folclórico’ ao seu redor. Eu arriscaria dizer que foi com a expansão da televisão de demais meios de comunicação em massa que essa morte foi inevitável. Se você olhar para uma árvore ou pedra e a enxergar como viva, você é louco, mas se você amar uma personagem de novela, e sofrer e chorar por ela, está tudo bem. Esse processo de separação entre homem e natureza, e a consequente cegueira do homem moderno em relação à verdadeira realidade das coisas não é algo que conseguiremos nos livrar lendo Eddas e Sagas. Como na Europa de Ulfila missionários precisaram enganar os povos e fazer com que eles achassem que o que cultuavam eram demônios, e não a natureza em si, enfiaram neles uma noção de individualidade e salvação individual, ensinaram a forma de cultuar através da fé, e isso não foi uma coisa compreensível em uma ou duas gerações, mas várias, da mesma forma hoje, com 15 ou 20 anos de paganismo a gente ainda está bem longe, na minha opinião, de ter sequer começado. Eu não sei se espero demais do paganismo, mas como na obra do citado Russell, ele admite que o cristianismo acabou incorporando vários elementos do paganismo para ser mais aceitável, por exemplo, entre os anglo-saxões, Jesus era visto como um cynning, um rei guerreiro tribal. A crença na onipotência do destino durou muitos séculos após o cristianismo. O mesmo acontece, de forma inversa. Odin é sempre visto como o “pai de todos”, mas raramente como o trapaceiro, ou como o fundador de linhagens reais, ou o guia dos mortos no submundo. Eu acho que só demos o pontapé. Os filhos dos filhos dos nossos filhos que entenderão de verdade o que é o paganismo. Só eles conseguirão escapar dos paradigmas de pensamento e internalizar a visão de mundo melhor do que todos nós, que mal começamos no paganismo. Três décadas é um piscar de olhos, comparado com dois mil anos de cultura monoteísta, ortodoxa, dualista e sob a influência forte do pensamento cartesiano e do Iluminismo para acharmos que já finalizamos o processo. Talvez até o nome “Ásatrú” se torne insuficiente, lá na frente. Estamos só molhando a semente, na minha opinião. Além disso a gente tem que superar alguns problemas como racismo, preconceitos, e todo esse tipo de porcaria política que enfiam no paganismo. Eu sou um ‘retro-pagão’ talvez. E isso faz com que a galera que se interessa por paganismo racista sempre fale asneiras pra mim. O paganismo não é fácil, muita gente se fecha. A ‘espiritualidade’ na Ásatrú tem tantos contras que às vezes a gente para e se pergunta se os prós valem mesmo a pena. No final das contas eu sempre termino descobrindo que eu mesmo não poderia ser de outro jeito sem estar mentindo pra mim. Eu não vou deixar o paganismo germânico só pra agradar terceiros que me odeiam por causa da quantidade de melanina que tenho na pele.

Como você enxerga a comunidade pagã brasileira, de forma geral?

Olha, eu sou um pagão solitário. O que faço é para pagãos solitários. Tem muita gente perdida, e eu mesmo estaria se não tivesse achado as amizades virtuais corretas, uma vez que onde moro isso é quase impossível, e é o único contra de se morar na zona rural. Eu vivo o paganismo local, o paganismo do meu lar, e é o paganismo do meu lar que eu passo para as pessoas. E o paganismo do meu lar é reconstrucionista. Isso significa que antes de fazer algo, eu procuro evidências, tento entender como os antigos agiam. Só depois de preparar uma estrutura copiando os antigos, é que eu coloco em prática. No Brasil isso é a exceção e não a regra, me parece. No Brasil a experiência individual é sobrevalorizada e o coletivo é descartado. Acontece que isso gera várias “Ásatrús” diferentes, praticamente não-dialogáveis entre si. Eu não sei como são as outras vertentes de paganismo, eu admito que não as conheço. Tudo que eu sei de povos não germânicos é através da lente do reconstrucionismo dos Proto-Indo-Europeus, em especial do Ceisiwr Serith, e muito pouco dos Chineses. Eu acho que talvez o paganismo devesse começar a questionar todas as suas bases e métodos. Tudo o que ele tem por ‘certo’, como mente, espírito, eu, comunidade, espiritualidade. Eu vejo realmente muito pouco de outras denominações pagãs fora da Heathenry, Theodismo, Ásatrú, Fyrnsidu, Aldsido ou outros tipos de paganismo germânico, e nenhuma delas é forte (no sentido de ter grupos ou confederações formadas, com exceção da Ásatrú) no Brasil, ainda. Talvez um dia eu conheça mais as comunidades ‘na vida real’, mas aqui, de onde moro, eu vejo que os reavivamentos céltico, romano, grego, egípcio, etc., começaram a engatinhar agora, e ainda vamos aprender bastante nos próximos anos. Eu mesmo espero me ver errado no futuro em muito do que acredito hoje.

Recentemente, tenho observado um aumento de interessados no paganismo nórdico, em paralelo com o sucesso de diversos produtos das mídias de massa e cultura pop relacionados a esse universo. Achas que há relação entre um e outro? Até que ponto essa relação entre Paganismo e cultura pop seria saudável?

O grande problema é que todos tomam o paganismo nórdico como morto até magicamente conhecerem palavras como ‘odinismo’ ou ‘ásatrú’. Eu comecei uma página no facebook uns três anos atrás para salvar links e traduções que eu postava para meu próprio uso, uma vez que achava o material disponível insuficiente, e do nada eu tinha várias pessoas me cobrando pela minha postura. Essas pessoas geralmente eram fãs de séries, viking metal, quadrinhos, ou nazismo mesmo. Eu nunca pensei que um dia eu teria oportunidade de ser perguntado sobre o que eu faço numa entrevista, por exemplo. Eu realmente ‘só’ queria aprender mais a viver esse caminho, e usava a página como uma espécie de local para desabafos, como um diário. Hoje eu nem sempre posso falar o que quero ou penso, e nem sempre eu me vejo cobrado por pessoas que parecem entender realmente o cerne do que é o paganismo pra mim. Então, pra mim, todo esse holofote dado ao reconstrucionismo, ou ao neopaganismo, germânico foi bem negativo. Eu realmente me invisto nisso porque eu realmente sei como o paganismo mudou minha vida. Então sim, houve, com o seriado Vikings e os filmes de Thor um maior interesse no ‘estereótipo’ do pagão germânico, mas eu não sei se poderia falar o mesmo do entendimento interno, quase antropológico, dos germânicos antigos. Muitas pessoas criam um passado mítico que nunca existiu e que jamais pode ser vivenciado, e usam isso para entender o que ‘é’ Ásatrú. Por isso pessoalmente eu me dediquei bastante para tentar acessibilizar conteúdo, e tentar desfazer os ‘mitos’ (no sentido negativo da palavra) e reforçar o caráter sério e prático do paganismo germânico. Ele pode ser vivido hoje, mesmo isoladamente, de forma muito fiel ao que tínhamos no passado – embora ele sempre vá ser diferente – e não é apenas esse amontoado de ideias sensacionalistas que a mídia faz dele. Querer entender o paganismo germânico através dessas mídias, para mim, é como querer entender os o deus dos cristãos através do discurso mais que mercantilizado de igrejas neopentecostais. É querer enxergar algo através de uma lente poluída e distorcida. Na minha sincera opinião o paganismo precisa deixar de ser majoritariamente uma subcultura urbana no sentido do punk, emos, skatistas ou dos headbangers, e se voltar para a terra. Deixar de ser uma gama de produtos numa loja e se tornar uma forma de ver e se relacionar com a terra e as pessoas ao seu redor. Viking metal, Thor e Vikings estão longe de despertar isso.

Para você, qual é a importância do regate de crenças e valores antigos, politeístas e/ou animistas, no contexto atual em que vivemos?

Essencial. Eu particularmente não sei quanto tempo o planeta consegue suportar a forma desrespeitosa que temos o tratado. A terra deixou de ser mãe e se tornou escrava. Deixou de ser respeitada e se tornou produto. O homem se afastou de si mesmo, e se prendeu na cadeia de ilusões do individualismo moderno. O animismo me ensinou a ver que não só eu sou vivo, não só o humano pensa, sente, respira, ama. Não só os animais. O respeito aos Ancestrais, a reverência a eles me fizeram entender muito melhor a morte e a vida. Acho que o resgate radical desse passado é importante. Pode parecer utópico, mas a partir do momento que olhássemos para quem somos e a cadeia enorme de relações que temos com tudo que ignoramos ou destruímos, acho que passaríamos a viver bem melhor. Eu sinceramente considero que o caminho do homem de volta para a terra, como local de onde tira seu sustento, vida, religião, entra em contato com seus Ancestrais, é o único caminho que o homem tem, a longo prazo. A natureza dá seus – muitos – sinais de que não vai suportar a ganância insaciável do homem, e que ele precisa parar de gritar e escutá-la.

© Dannyel de Castro

Anúncios

2 respostas para “Vozes do Paganismo #4: entrevista com o ásatrúar Daniel Sonne Heljarskinn”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s