Pagãos que inspiram: Margot Adler

Essa semana marca o aniversário de 3 anos da morte de Margot Adler, pagã, jornalista, conferencista e autora norte-americana. Adler escreveu o livro Drawing Down the Moon, publicado inicialmente em 1979. O livro, por sua vez, é um marco na história do Paganismo Contemporâneo, no qual ela expõe um amplo panorama desse movimento religioso, algo até então inédito. A jornalista nasceu em Little Rock, Arkansas, EUA, mas cresceu em Nova York. Interessou-se pelo Paganismo no período da universidade, tornando-se praticante no início dos anos 1970 e iniciada na tradição wiccana cuja linhagem remete ao criador da religião, Gerald Gardner, em 1973. Desde então, passou a atuar principalmente através de seu sacerdócio na religião.

O livro Drawing Down the Moon foi fruto de uma extensa pesquisa sociológica na qual Adler realizou um trabalho de campo responsável por listar diferentes manifestações do Paganismo Contemporâneo nos Estados Unidos, tendo conversado com diversos líderes e personalidades do movimento. O resultado é um retrato fiel (mais de 500 páginas!) do movimento de resgate do paganismo antigo que então começava a engatinhar no ocidente. Margot Adler chamou atenção para diversas especificidades dessas expressões religiosas; aspectos teológicos, antropológicos e sociológicos foram abordados em sua obra. Além disso, ela foi responsável por constatar a pluralidade do paganismo, investigando grupos de Ásatrú, Druidismo, Wicca, diferentes reconstrucionismos, entre outros. Um dado interessante é que a própria noção de “paganismo reconstrucionista”, que posteriormente passou a ser adotada por movimentos como o Reconstrucionismo Celta, surgiu a partir de sua obra.

Margot Adler morreu em 28 de julho de 2014, aos 68 anos. O livro Drawing Down the Moon teve três outras edições, sendo a última de 2006, pela Penguin Books. Em 2013, um ano antes de sua morte, ela escreveu:

Todos fazemos parte do ciclo da vida. Como uma semente, nós nascemos, brotamos, crescemos, amadurecemos e decaímos, dando lugar a futuras gerações que, como mudas, renascem através de nós. Quanto à persistência da consciência, no fundo, penso: “Como podemos saber?”. Talvez simplesmente voltemos aos elementos; nos tornamos terra, ar, fogo e água. Isso parece certo para mim (ADLER, 2013).

No contexto da década de 1970, no qual o Paganismo Contemporâneo começava a se tornar popular, Margot Adler foi visionária ao evidenciar a beleza da pluralidade deste movimento. Sua obra é, por isso mesmo, uma grande inspiração para o Bosque Ancestral. E já que ser pagão é também honrar a sua ancestralidade, honremos a memória de Margot Adler, que esteve aqui antes de nós e abriu caminhos para que projetos como esse se tornassem possíveis. O que é lembrado, vive!

adler

© Dannyel de Castro

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