Novo livro sobre Neopaganismo no Brasil

Acaba de ser lançado o livro “Sobre as raízes da Samaúma: Neopaganismo na Amazônia“, fruto de uma pesquisa bibliográfica e de campo que também resultou na minha dissertação de Mestrado em Ciências da Religião. O Neopaganismo é um conjunto de expressões religiosas que começaram a ser delineadas no curso da história entre os séculos XVIII e XIX. De modo geral, essas expressões vieram a se estruturar gradativamente a partir daí, até que criaram popularidade no Ocidente em meados do século XX. Tal fato se deu, inicialmente, em países da Europa e nos Estados Unidos, sobretudo a partir da década de 1960 – na qual as ideologias e as cosmovisões dessas religiões demonstraram-se alinhadas ao fenômeno da revolução cultural que ocorria no momento. A partir desse período, houve uma profusão de grupos neopagãos empenhados em resgatar “saberes ancestrais”, isto é, filosofias religiosas de povos pré-cristãos, mas em uma clara sintonia com certas praxes modernas, como a proposta do movimento ecológico. O livro constata que essas expressões religiosas já são uma realidade no campo religioso brasileiro há pelo menos duas décadas, e parte na busca pela compreensão de alguns dos elementos centrais que constituem tais práticas. A pesquisa de campo foi realizada na cidade de Belém/PA, entre 2014 e 2016, período no qual participei de diversos encontros, ritos e demais atividades públicas e privadas de diferentes grupos neopagãos, além de ter entrevistado vários adeptos.

Confira a apresentação do livro:

O Neopaganismo é uma das expressões religiosas que oferece importantes contribuições para o estudo das religiões. Sua expressividade, no contexto brasileiro, pode ser observada principalmente através da relação desempenhada entre seus adeptos e o espaço público: os neopagãos realizam rituais, encontros e demais atividades em praças, bosques e parques das cidades, além de estarem envolvidos com a política (espaços de diálogo inter-religioso, palestras e debates sobre liberdade religiosa, atos ecumênicos, etc.). O presente livro parte da premissa de que através da presença desses religiosos, especificamente, em espaços públicos urbanos é possível compreender aspectos centrais das religiões neopagãs. O livro aborda diferentes elementos, como: a história do movimento neopagão (neste incluso expressões como Wicca, Druidismo, Heathenismo, Reconstrucionismos, entre outros) em escala global e nacional; a relação dos neopagãos com o espaço público e os circuitos urbanos; o estilo de vida e a construção da identidade neopagã. O trabalho é fruto de uma pesquisa bibliográfica e de campo, sendo que esta última foi realizada em Belém, Pará, uma das maiores metrópoles da Amazônia brasileira – através desse contexto etnográfico, evidenciam-se diversas especificidades das práticas religiosas dos neopagãos amazônicos, como relação com a natureza local, espíritos da mata, deuses e entidades indígenas, além de outros elementos.

Sumário:

CAP. 1 – Firmando as raízes: breve contextualização do Neopaganismo e da pesquisa (p.11)
1.1 Introdução ao Neopaganismo (p.11)
1.2 Neopaganismo, religiões da natureza e modernidade (p.18)
1.3 Estudos sobre Neopaganismo no Brasil (p.28)
1.4 Imersão no campo: discutindo métodos (p.41)
CAP. 2 – Entre mundos: do Paganismo global ao Paganismo tropical (p.50)
2.1 Bruxas, covens e tradições: a Wicca no Brasil (p.54)
2.2 Outros praticantes da “arte”: a Bruxaria Tradicional no Brasil (p.66)
2.3 Druidas, clãs e ordens: o Druidismo no Brasil (p.68)
2.4 Heathens, ásatrúars e odinistas: o Heathenismo no Brasil (p.76)
2.5 Reconstruindo a antiga fé: os Reconstrucionismos no Brasil (p.83)
2.5 Novos curadores: neoxamãs e ecofeministas no Brasil (p.86)
2.6 Em busca da comunidade: encontros, conferências e festivais neopagãos no Brasil (p.88)
CAP. 3 – Um bosque de carvalhos e samaúmas: covens, clãs e heathens na metrópole paraense (p.91)
3.1 O Neopaganismo na Amazônia (p.92)
3.2 Na cidade das mangueiras (p.97)
3.2.1 Remexendo o caldeirão: covens de Belém (p.97)
3.2.2 Outros caminhos: do Druidismo à Bruxaria Tradicional, do Heathenismo à Espiritualidade Feminina (p.105)
3.3 O circuito neopagão na cidade (p.112)
3.3.1 Os espaços (p.120)
3.3.2 As sociabilidades (p.129)
3.4 Percepções de dentro e de fora sobre a comunidade neopagã (p.133)
3.5 Neopaganismo e o espaço público em Belém (p.143)
3.6 Neopagãos, lugares e espaços: dimensões interpretativas (p.148)
CAP. 4 – No caminho dos deuses: o estilo de vida e a construção da identidade neopagã (p.160)
4.1 A natureza como templo sagrado (p.161)
4.2 A influência da cultura pop e mídias de massa (p.171)
4.3 A busca pelo conhecimento científico (p.183)
4.4 Políticas e ativismo social (p.186)
CAP. 5 – Trilhando a jornada: Neopaganismo, espiritualidade e vivência (p.197)
5.1 Religião e espiritualidade (p.198)
5.2 A espiritualidade contemporânea no contexto urbano (p.206)
Referências bibliográficas (p.210)

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Slide1

© Dannyel de Castro

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