Errata sobre a Tradição Diânica do Brasil

por Fábio Stern

Há alguns meses em minha coluna comentei sobre uma reportagem publicada no Jornal Metrópoles. Desde então, tive a oportunidade de conversar com Mavesper Cy Ceridwen, e percebi que minha coluna precisava de uma retratação por três motivos.

O primeiro é que eu não procurei a própria Mavesper para ouvir o lado dela na época. A Mavesper me explicou que assim que a matéria foi publicada no Jornal Metrópolis e no FolhaMax, que ela sofreu chantagem e tentativa de extorsão de uma pessoa que deixou de frequentar seu grupo, de que continuariam a fazer publicações contra seu grupo caso ela não pagasse certa quantia. O lado dela da história pode ser acompanhado nesse post de seu Facebook:

O segundo ponto que merece retratação é uma errata: eu disse na coluna anteriormente que a Tradição Diânica do Brasil (TDB) deriva da Tradição Diânica McFarland, quando na verdade a TDB deriva da Tradição Diânica Hyperborian, criada por Mark Roberts. Como ele é cofundador da tradição que antes era chamada de Dallas Dianic ou Old Dianic, e que posteriormente se denominou McFarland, é mais preciso considerar que a Tradição McFarland e a TDB são tradições “primas”, por assim dizer.

Por fim, devo explicar melhor algo que ficou ambíguo no meu texto anterior. Após conversar com a Mavesper, percebi que minha coluna abriu margem a interpretações erradas de que seu grupo estaria fazendo algo que iria contra o dianismo. Não, pessoal. Eu não quis colocar em xeque o trabalho de ninguém. Portanto, vamos esclarecer isso.

Eu estava com muito receio de escrever a coluna porque a reportagem do Jornal Metrópoles tratava de denúncias de assédio sexual. Como o Brasil é uma sociedade onde as vítimas de estupro são culpabilizadas e seus algozes são tratados como coitados, eu tentei escrever de uma forma que não abrisse margens de que eu estava minimizando a situação. Porém, com isso posso ter dado a entender que era a TDB quem estivesse fazendo algo errado, quando não estava em voga em meu texto o trabalho da TDB ou da própria Mavesper.

Em primeiro lugar, devo ressaltar que a Mavesper possui grupos e projetos com mulheres vítimas de assédio e violência. Em segundo lugar, como eu poderia querer dizer que o que a TDB faz é certo ou errado, quando sequer faço parte dessa religião? Lembrando, antes de tudo eu sou cientista das religiões. Julgar uma religião vai contra um dos principais pilares metodológicos da Ciência da Religião: o agnosticismo metodológico. Não me cabe, assim como não cabe a nenhum outro cientista das religiões, validar o ethos religioso da TDB.

O que eu quis dizer é que achei estranho haver denúncias de pessoas dizendo que foram forçadas a participar de ritos sexuais, porque forçar as pessoas a algo não faz parte da wicca. Também considerei estranho que uma das denúncias apresentadas na reportagem dizia que um homossexual foi forçado a fazer sexo com mulheres nesses ritos. Eu achei isso bizarro, visto que no Brasil existem personalidades homossexuais que fazem parte do quadro de lideranças religiosas do dianismo. Acho muito difícil que essas pessoas criassem rituais nos quais teriam que fazer sexo heterossexual contra a própria vontade.

Contudo, a minha coluna não deve ser interpretada como uma crítica ao poliamor ou à existência de ritos sexuais em tradições pagãs, como talvez algumas pessoas possam ter interpretado ao me ler. O poliamor não é condenado pela wicca, assim como nenhuma outra forma de amar. Tão pouco os ritos sexuais per se são condenados na wicca. O que não existe, e isso é o que tentei deixar claro, é a imposição a esses ritos. Ninguém é obrigado a nada em lugar algum. Daí, portanto, a necessidade de investigarmos as denúncias que foram feitas com clareza, porque pode se tratar de uma tentativa de sujar a imagem dos wiccanos e do neopaganismo no Brasil de modo geral.

 

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25360846_1538706246206126_625785573_nFábio Stern é wiccano desde 2000, e alto sacerdote da tradição adulariana, na qual ingressou em 2011. É também cientista das religiões, com foco em pesquisas sobre o movimento da Nova Era. Autor da coluna Comunidade Pagã, na qual escreve comentários sobre notícias do cenário pagão.

 

 

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