Encontro com Macha

por Máh Búadach Ingen Ecnai

Sou apenas eu entre o céu sobre minha cabeça e a terra sob meus pés. A imensa colina sagrada se ergue a minha frente. Sua grama verde brilhante irradia êxtase e eu subo o caminho espiral saltitando como a menina que fui e ainda sou.

Do outro lado da colina ela vem, seu pêlo castanho avermelhado e sua postura nobre não me enganam e nós sabemos o que viemos viver hoje!

Nos encontramos no topo da colina, o olhar amoroso da égua não esconde sua natureza selvagem e seus desejos: queremos correr!

Monto em seu dorso e ela inicia o galope.

Seu corpo quente abaixo do meu rapidamente se encharca de suor enquanto cavalgamos em velocidade.

Meu cabelo escuro, solto, chicoteia ao vento cortante, tão belo e macio quanto a crina dela.

Velozmente através de vales e colinas, nós vamos unidas, sentindo a liberdade de ser quem somos.

Me ponho ereta sobre suas costas e soltando um grito me lanço aos céus.

Agora sou pássaro preto, voando livremente e minha companheira corre abaixo de mim.

Essa sensação! A liberdade do vento sobre a terra que só os cavalos selvagens conhecem, a sensação de pertencerem a si mesmos.

Desço do céu e volto ao seu lombo, diminuímos a marcha e passeamos pelas falésias até a beira do mar.

Macha me espera em seu belo traje azul. Seus cabelos são da cor do pêlo da égua e lembram meu sangue de mulher, meu poder de criar, minha menstruação.

“Ano difícil?” – ela me pergunta.

Envergonhada e tímida diante de sua nobreza apenas aceno com cabeça.

Ela puxa um de seus fios de cabelo e coloca na minha cabeça como se fosse uma coroa.

“Você esqueceu de quem é. Lembre-se agora! Você é, e sempre será, soberana de si mesma.”

 

Esse texto é baseado na minha vivência com Macha na Ciranda das Deusas Celtas facilitada por Mayra Faro.

A história de Macha conta que havia um rei viúvo, tristre pela perda da esposa. Macha chega em sua vida e restabelece o equilíbrio e a harmonia em sua casa e coração. Unicamente pede que nunca revele a ninguém sua natureza divina.

Porém num encontro de reis, ele bebe demais e aposta que ela corre mais que os cavalos do rei. Macha é intimada a correr, porém está em trabalho de parto e súplica a todos que a permitam viver aquele momento em paz.

Ninguém atende seu pedido, então ela corre e ao cruzar a linha de chegada, vence a corrida e gritando, dá a luz gêmeos.

Indignada, amaldiçoa a todos os presentes:

“Quando mais precisassem de suas forças, todos os homens desta tribo e suas gerações sentirão as dores do parto.”

Alguém na audiência pergunta quem ela é, ao que ela responde:

“Eu sou Macha!”

E desaparece levando seus filhos.

 

Revisão por Gabriele Paschoalin

 

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29547697_202903166970112_317694771_nMáh Búadach Ingen Ecnai foi o nome que recebi de meu pai quando iniciei aos 17 anos meus estudos sobre espiritualidades da terra. Passando pela bruxaria e o druidismo, hoje pesquiso sobre sagrado feminino. Escrevo para o blog  www.olivrodebuadach.wordpress.com e agora na coluna Dançando Minha Lua, do Bosque Ancestral.

 

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2 respostas para “Encontro com Macha”

  1. No equinócio de outono, eu estava muito abatida. Anteriormente, tinha trabalhado um pouco com Macha, mas de repente cheguei a um nível de apatia estranha.
    Na madrugada do equinócio, sonhei com Morrighan, no aspecto de Rainha Fantasma, e ela me disse muitas coisas, mas me lembro apenas de “faça o que quiser, só não esqueça quem você é”.
    E cá estou eu de novo, relendo a mesma frase que ouvi.
    Obrigada por compartilhar. /|\ ❤

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