Encontro com Cerridwen

por Máh Búadach Ingen Ecnai

Parei em frente a colina. Metade dela ardia em chamas, metade era um gramado verde brilhante e vicejante.No topo estava o buraco negro. O caldeirão borbulhante que tudo inicia e tudo dá fim.

Ela me deu a mão e caminhamos no limiar dos mundos.

“Minha filha, você irá e eu te acompanharei. No início você não me reconhecerá. Mas estarei sempre ao seu lado.”

Entrei no caldeirão e me desfiz.

Lá dentro era quente e úmido. E o som do tambor era alto e retumbante. Tum tum. Tum tum. Então esvaziou e eu nasci.

No princípio, eu fui filha e neta. Cuidada e mimada. E ela estava lá. Eu aprendi a usar o corpo que ganhei. Eu fui criança e explorei meu corpo e dominei a matéria.

Aprendendo e conhecendo o mundo ao meu redor. Descobri sobre os sentimentos e passei a experimentá-los.

Fui irmã, amiga, companheira, parceira, depois amante, namorada, esposa e mãe.

E ela sempre esteve comigo.

Aí descobri que eu ainda podia ser mais e que além do mundo físico e emocional, havia um mundo mental.

E fui estudante, aprendiz e profissional. Fui cozinheira e lidei com pessoas. Descobri a arte e maneiras de me expressar e fui artista , palhaça, performer, drag queen.

E hoje eu descubro que a mais a viver, e que partilhar também é aprender, e eu ensino e facilito o caminho para outros pois ela sempre esteve comigo e foi assim que me ensinou.

E eu vi a morte nos meus olhos e nos olhos dos outros. Eu vi a vida se transformar e mudar. Eu que nasci, cresci, me desenvolvi, criei, me expressei, um dia também deixarei de existir aqui.

E voltarei pra ela.

Que sempre esteve comigo, que me ensinou a me transformar em tantas formas de mim mesma, pois todas as expressões são ela e todas as expressões sou eu.

Ela que era mãe e foi cão de caça, lontra e falcão, galinha e porca.

Eu que fui menino e lebre, salmão e passarinho, grão e menina de novo.

É isso que ela me mostrou, que a vida é mudança. É sempre se transformar em algo novo e viver plenamente essa nova experiência.

Que não somos uma única face no decorrer do tempo mas múltiplas manifestações numa espiral de espaço tempo, onde tudo ocorre aqui e é importante estar no centro do momento presente e poder olhar, sentir e ser todas as direções.



Este conto foi baseado na minha vivência com Cerridwen durante a Ciranda das Deusas Celtas facilitada por Mayra Faro.

Cerridwen é a deusa do País de Gales a que me devoto. Mais informações sobre ela busque no meu blog: “www.olivrodebuadach.wordpress.com”

 

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29547697_202903166970112_317694771_nMáh Búadach Ingen Ecnai foi o nome que recebi de meu pai quando iniciei aos 17 anos meus estudos sobre espiritualidades da terra. Passando pela bruxaria e o druidismo, hoje pesquiso sobre sagrado feminino. Escrevo para o blog  www.olivrodebuadach.wordpress.com e agora na coluna Dançando Minha Lua, do Bosque Ancestral.

 

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