Espiritualidades Ameríndias

As espiritualidades ameríndias correspondem a cosmovisões ancestrais de povos habitantes do continente americano. A história tem sido contada tendo como centro o mundo europeu, e seguindo essa lógica apenas passamos a conhecer o continente americano a partir do momento em que houve uma invasão genocida por parte dos europeus sobre as terras ameríndias, no século XVI. No entanto, alguns estudiosos estão voltando a sua atenção para o fato de que a Ameríndia está inserida em um contexto mais amplo da história mundial, que remonta à chamada “revolução neolítica”, quando se inventou a agricultura e a organização da confederação de cidades, ou seja, a formação das grandes civilizações. Além das civilizações tidas como principais – mesopotâmica, egípcia, chinesa e civilização do Vale do Indo – a revolução neolítica também culminou na formação dos Astecas e Maias, no espaço mesoamericano, e do império Inca, nos Andes do Sul.

Alguns estudiosos apontam a Ásia como lugar de origem dos povos ameríndios, de onde eles teriam iniciado um processo migratório pelo Pacífico por volta do ano 50.000 antes da era comum. Para Enrique Dussel, esta relação entre os mundos ameríndio e asiático é verificável através de uma série de elementos históricos, o que leva a crer que o continente americano passou por incontáveis “descobertas” por parte de povos asiáticos ao longo do tempo.

Assim, procedentes da Ásia, os grupos que chegaram na Ameríndia foram construindo suas culturas ao longo do tempo, e assim deram diferentes nomes para os territórios que habitaram – Tahuantisuyo dos Incas, Abia Yala dos Kunas do Panamá, a Pachamama dos Qéchuas, a Pindorama dos Tupinambá, etc. Tais povos se espalharam e deram origem a diversas culturas ameríndias. Somente no Brasil, estima-se que houve cerca de 270 diferentes idiomas ameríndios.

A diversidade cultural da Ameríndia indica uma pluralidade de cosmovisões espirituais. Contudo, destaca-se em todas a observação dos ciclos da Natureza (do Sol, da Lua, da Terra) e a reverência às forças naturais, a relação de familiaridade entre humanos e os seres dos reinos animal e vegetal, o respeito pelos ancestrais, entre outros aspectos. A visão do mundo como sendo dividido em Céu-Terra-Submundo também está presente em diferentes culturas. Para os Incas, Hanan Pacha é o mundo de cima, simbolizado pelo totem do condor, a Kay Pacha é o mundo terreno, representado pelo puma, e o Ukhu Pacha é o mundo de baixo, representado pela serpente. Segundo a cosmovisão dos Maias, o eixo que liga esses três mundos é Yaxche, uma grande árvore cósmica, que é também a Samaúma para culturas da Floresta Amazônica, como os Ticuna.

As espiritualidades ameríndias prezam pela palavra e têm sua beleza expressa no canto, na dança e na festa, características singulares dessas culturas que podem ser observadas ainda hoje.

 

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Caminhando nos passos dos Astecas

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